Catálogos de Resumos de Livros

Bem-vindo à nossa página de Resumos de Livros!

Aqui, você encontrará uma seleção cuidadosamente elaborada de resumos concisos e informativos de diversas obras literárias.

Filtros
Filtrar Livros por Categorias
Filtrar por Autores
Filtrar Livros por Autores
Filtrar por Tags
Filtrar Livros por Tags
Filtrar Livros por Categorias
Filtrar por Autores
Filtrar Livros por Autores
Filtrar por Tags
Filtrar Livros por Tags


O livro “O Que O Governo Fez Com Nosso Dinheiro” de Murray N. Rothbard, publicado em 1963 com o título “What Has Government Done to Our Money?”, proporciona uma análise abrangente sobre o dinheiro e o livre mercado na esfera monetária.

Inicialmente, Rothbard explora os fundamentos básicos das trocas voluntárias, destacando a especialização e a divisão genuína do trabalho, de modo que os resultados dessas interações são positivos para ambas as partes. Destacam-se trocas diretas (escambo) e trocas indiretas por meio de bens comerciáveis, suscetíveis às leis de mercado.

Ao discutir o papel do dinheiro, o autor destaca sua função principal como meio de troca e a capacidade de permitir uma complexa estrutura de produção e cálculos econômicos. Sendo assim, o ouro emerge como uma escolha natural para o dinheiro devido à sua facilidade em transações e estoque limitado, tornando-se então uma moeda-mercadoria.

Rothbard argumenta contra a prática de bancos centrais e enfatiza a importância de uma oferta monetária determinada pelo livre mercado. Ele critica a manipulação governamental da moeda, destacando como a inflação, entendida como uma pirâmide financeira devido à maneira que escoa pela sociedade (Efeito Cantillon), prejudica o cálculo econômico, afeta a produtividade e gera ciclos econômicos. Pessoas evidentemente querem mais eficácia monetária (aumento do poder de compra). Entretanto, a imutabilidade do poder de compra é impossível, e este sempre sofrerá oscilações.

O dinheiro é suscetível à oferta e demanda, onde a demanda por dinheiro significa mais bens oferecidos em troca por ele em adição à uma quantia entesourada durante um determinado período. Um aumento na oferta de dinheiro e uma constância em sua demanda significam que o poder de compra cairá. No caso de a demanda por dinheiro subir (ou seja, entesouramento / reserva líquida), ocorre um efeito deflacionário onde o poder de compra sobe e o preço dos bens cai.

Governos só se financiam através de expropriação alheia (tributação). Com a falsificação monetária, conseguiram tal expropriação de maneira mais sutil e despercebida – ou seja, através da inflação. Esta inflação gera aumento de preços não só quantitativa, mas também qualitativa (a qualidade dos produtos caem).

Além disso, o excesso de crédito torna as pessoas mais imprudentes, incentiva demasiadamente o consumo e o endividamento, desincentiva a poupança e moderação e dificulta o cálculo empresarial (o qual estima custos e demandas).

Com isto, podemos observar que o financiamento corporativo pela inflação compõe os ciclos econômicos: o dinheiro criado do nada é usado genuinamente por empreendedores, os quais supõem que tal dinheiro surgiu de poupança voluntária; preços e salários sobem e após o rebalanceamento financeiro da população (ajuste de suas poupanças e orçamento para gastos devido à este aumento salarial) as empresas se mostram insolventes e insustentáveis, fazendo com que a bolha se exploda.

O controle monetário ao longo da história apresentou diversas ferramentas, como o monopólio da cunhagem, que permitia também adulterações, a separação da moeda de seu metal através da atribuição de um nome à unidade metálica e a padronização de denominações novas e antigas pelo mesmo nome. Essa prática resultava na entesouração ou exportação das moedas de massa integral, levando-as a sair de circulação, fenômeno explicado pela Lei de Gresham.

A Lei de Gresham só é válida em uma situação de intervenção (controle de preços coercivos sobre as taxas de câmbio). Ela implica que um dinheiro artificialmente subvalorizado, com o tempo, será entesourado ou exportado, diminuindo sua quantidade em circulação e tornando-o mais escasso, enquanto o dinheiro artificialmente sobrevalorizado será amplamente usado na economia e será mais abundante, consolidando-o como a moeda circulante.

Além disso, o bimetalismo também era usado como ferramenta de controle monetário, onde proporções eram fixadas e uma moeda nominal era criada com base nessa taxa, causava sobrevalorização e subvalorização artificial. O curso forçado pelos governos permitia que bancos operassem insolventes, sendo explorado pelo próprio governo como meio de financiamento em períodos de guerra.

Com a evolução dessas ferramentas de controle monetário, surgiram os bancos centrais, que detinham o monopólio da emissão de cédulas monetárias. Esses bancos foram criados para proporcionar ao governo total controle e direção da inflação, destacando-se o Federal Reserve.

Depois de toda esta base teórica esplanada, o autor agora faz uma análise do histórico monetário ocidental, de modo que ele aborda o declínio dos padrões ouro-clássico (1815 a 1914) e posterior ouro-câmbio (1926 a 1931), o qual tinha a libra esterlina como moeda-chave. No período pré-guerra até o fim da Segunda Guerra Mundial (1931 a 1945), os papéis-moedas flutuantes predominaram. Com o fim da guerra surgiu o Acordo de Bretton Woods, que não passava de um novo padrão ouro-câmbio americano (1945 a 1968).

O ouro abundante nos cofres americanos e a fragilização mundial permitiu que o sistema durasse mais tempo que o inglês. O dólar artificialmente subvalorizado, no período pós-guerra deste sistema, também acabou gerando um desabastecimento mundial de dólares.

Entretanto, por todos os países precisarem manter reservas de dólar, com o tempo este dólar ficou sobrevalorizado; os déficits americanos se tornaram recorrentes; o dólar foi inflacionando e poder de compra do dólar foi caindo; e países repudiavam cada vez mais a obrigação de terem de manter as reservas em dólares, e cada vez mais também solicitavam as restituições em ouro, o que gerou um grande fluxo negativo de ouro dos cofres americanos.

Com isto, houve um período de declínio do acordo de Bretton Woods (1968 a 1971), que desencadeou no surgimento de um duplo mercado de ouro, em uma tentativa de manipular o seu preço e ignorar o preço do livre mercado. Isto acabou sendo um tiro no pé, pois a cotação do ouro perante ao dólar, no livre mercado, se mostrou muito alta, expondo a fraqueza do poder de compra do dólar.

Assim se deu o fim do Acordo de Bretton Woods e volta dos papéis-moeda flutuantes (08 a 12/1971), onde Richard Nixon deu fim ao acordo e tornou as moedas fiduciárias como exclusivamente predominantes mundo afora, sendo agora, pela primeira vez, o dólar sem lastro algum.

Desta forma, papéis-moeda flutuantes (03/1973 a 09/2008) compuseram, durante décadas, o sistema monetário internacional. Possuía algumas características, como: a exclusividade de moedas fiduciárias (lastreadas em confiança no governo); blocos econômicos fixando taxas cambiais; reservas se tornando abundantes; empresas se beneficiando da desvalorização do dólar, o que barateou a exportação de produtos americanos e os encareceu internamente nos EUA (inflação alta para os consumidores americanos). Esta fase foi a nona e última fase vivida por Rothbard, que faleceu em 1995.

A última fase, analisada por Fernando Ulrich no posfácio, revela uma décima fase caracterizada por desvalorizações competitivas e políticas econômicas sem embasamento teórico. A crise do Subprime e a implementação do Quantitative Easing são abordadas como fenômenos contemporâneos que refletem a continuidade das práticas questionáveis no sistema financeiro mundial.

Bancos centrais imprimem o quanto for necessário, comprando ativos tóxicos de bancos insolventes, e provendo liquidez ao sistema. Estabelecem taxas de juros a 0, de modo que países tiveram que seguir esta tendência ou suas moedas se apreciariam muito, prejudicando suas exportações. De acordo com Ulrich, ainda vivemos na mãe de todas as bolhas: dívida soberana e promessas do governo.

Rothbard conclui o livro com uma reflexão sobre a coação governamental, afirmando que ela não produz ordem, mas sim conflito e caos, além de apontar o “plano final” dos governos e bancos. Já Ulrich conclui que lições não foram aprendidas.

“Aprendendo a Viver” é uma coleção de cartas escritas pelo filósofo estoico Sêneca para seu amigo Lucílio entre 63 e 65 d.C. O livro foi publicado pela primeira vez em Língua portuguesa pela editora L&PM em 2008. As cartas abrangem vários temas, incluindo tempo, desejo, pobreza, luto e morte.

Na obra, Sêneca enfatiza a importância de viver cada dia como se fosse o último, pois a vida é efêmera e pode ser interrompida a qualquer momento. Por isso, a vida deve ser valorizada pela qualidade e não pela duração. Ele argumenta que muitas pessoas desperdiçam suas vidas preocupando-se com coisas insignificantes e ignorando o que realmente importa, como o autoconhecimento, a virtude e a busca pela sabedoria.

O autor também discute a natureza da felicidade, argumentando que a verdadeira felicidade não pode ser encontrada na busca por riqueza, poder ou prazer, mas sim na realização de nossa natureza humana e na prática da virtude. Ele enfatiza a importância de viver de acordo com os princípios da ética e da moralidade, e não ser influenciado pelas opiniões dos outros. Ainda, se refere à Regra de Ouro e diz que uma pessoa deve agir com seu inferior como gostaria que seu superior agisse com ela.

Outro tema abordado em “Aprendendo a Viver” é a morte. Sêneca argumenta que a morte não é algo a ser temido, mas sim aceito como uma parte natural da vida. Ele incentiva seus leitores a refletir sobre a morte e a viver suas vidas de maneira plena e significativa, sem se apegar demasiadamente às coisas materiais ou superficiais. A morte e o tempo são descritos como inimigos que perseguem a todos desde o nascimento. Ele compara a morte à não-existência e diz que a vida é como uma lanterna acesa, que depois de apagada volta a ser como era antes de ser acesa.

O filósofo compara o escravo ao cidadão e o lar a um pequeno Estado. Ele incentiva seus leitores a melhorarem a si mesmos, a fim de melhorarem o ambiente que os cerca. Sêneca também afirma que a alma é mais importante do que a riqueza material e que a sabedoria e as virtudes são imortais.

Ao longo dos ensaios, Sêneca utiliza exemplos da história e da literatura para ilustrar seus pontos de vista. Ele cita figuras como Sócrates e Cícero, e usa histórias da mitologia grega e romana para enfatizar suas ideias.

“Aprendendo a Viver” é uma obra atemporal, que continua a ser relevante e inspiradora até hoje. Sêneca nos lembra que a vida é breve e preciosa, e que devemos aproveitar cada momento para buscar a sabedoria, a virtude e a felicidade.

O livro “Anatomia do estado” é uma obra escrita por Murray Rothbard e publicada originalmente em 1974, abordando a crítica ao papel do estado na sociedade. Rothbard foi um importante teórico do libertarianismo e da escola austríaca de economia.

Na obra, Rothbard faz uma análise crítica, pragmática e cirúrgica do estado, argumentando que o mesmo é uma instituição coercitiva e monopolista que se sustenta pela violência. Ele argumenta que o estado é um parasita social que se alimenta da riqueza produzida pela sociedade, sem produzir nada em troca. Rothbard afirma que o estado é um agente de coerção que interfere na vida das pessoas e as priva de sua liberdade individual, em troca de supostamente oferecer segurança e proteção.

Além disso, o autor analisa o papel do estado na economia, argumentando que o mesmo é um agente que distorce os preços, e que seu intervencionismo no mercado gera ineficiências e ineficácias. Rothbard afirma que a economia de mercado é a melhor forma de organizar a sociedade, sem a necessidade de um estado, e também a mais ética.

O autor ainda aborda a questão da propriedade, afirmando que a mesma deve ser baseada na posse e no uso, e não na mera apropriação legal. Rothbard argumenta que o estado viola a propriedade privada ao cobrar impostos e restringir o uso dos bens, e que de fato a propriedade inexiste onde quer que exista um estado.

Ao longo do livro, Rothbard defende a ideia de que a sociedade pode se organizar de forma voluntária, sem a necessidade do estado. Ele propõe a descentralização do poder e a adoção de sistemas de governança baseados na liberdade individual e no livre mercado.

Sendo assim, “Anatomia do estado” é uma obra fundamental para entender a crítica libertária ao estado e suas consequências para a sociedade, principalmente nos dias atuais em que seus poderes vêm crescendo assustadoramente. O livro é uma leitura essencial para aqueles que buscam compreender a visão libertária da política e da economia, bem como refletir sobre os limites e as possibilidades da ação do estado.

O livro “Mitologia Nórdica” (Norse Mythology), de Neil Gaiman, foi publicado em 2017 e apresenta uma coletânea de histórias e mitos da mitologia nórdica – uma adaptação moderna que mostra deuses e criaturas lendárias como Odin, Thor e Loki.

O autor, Neil Gaiman, é um famoso escritor britânico conhecido por sua habilidade em contar histórias fantásticas e mitológicas. Ele cresceu na Inglaterra, mas é de ascendência escandinava, o que o levou a ter interesse na mitologia nórdica desde jovem. Além disso, como escritor de ficção e fantasia, Gaiman já havia trabalhado anteriormente com temas mitológicos em obras como “Deuses Americanos” e “Sandman”, e a mitologia nórdica era um tema que o fascinava há muito tempo.

Em “Mitologia Nórdica”, Gaiman oferece uma narrativa cativante e acessível para os leitores que buscam explorar e compreender essa antiga mitologia. A viagem por esse mundo fabuloso nos traz histórias de deuses e serpentes, como a da árvore Yggdrasil, que é a mais bela e perfeita de todas as árvores e une os nove mundos; Asgard, lar dos Aesir; Midgard, o mundo dos humanos; e Hel, para onde vão os mortos que não tiveram uma morte honrada em batalha.

O livro é dividido em capítulos que contam as histórias de diferentes deuses e criaturas mitológicas, desde a criação do mundo até o Ragnarök, o fim dos tempos. As histórias são contadas em uma linguagem simples e direta, tornando-se fácil para o leitor entender a complexidade da mitologia nórdica.

Ao longo do livro, Gaiman explora a personalidade dos deuses e suas interações com o mundo e entre si. O leitor pode ver como esses deuses eram considerados poderosos, mas não invencíveis, com suas próprias falhas e desafios. As histórias também apresentam lições e ensinamentos sobre moralidade e ética.

Descobrimos como Odin conseguiu seu conhecimento, bem como a história de quando Thor foi presenteado com seu martelo Mjolnir. Desvendamos, ainda, o conto do hidromel da poesia, que torna quem bebe capaz de fazer magia com as palavras, de compor poemas e narrativas épicas.

Outro aspecto interessante do livro é que Gaiman combina elementos da mitologia nórdica com sua própria narrativa e estilo de escrita, dando um toque pessoal e único ao livro.

É uma leitura divertida, rápida e fluida, e ao apresentar as histórias de uma maneira clara e atraente, o autor permite que o leitor se aprofunde nesse mundo antigo e enigmático.

O livro “A Desobediência Civil”, escrito por Henry David Thoreau e publicado em 1849 originalmente como “Civil Disobedience”, é um ensaio que defende a ideia de que é moralmente justificável quebrar as leis em determinadas situações, especialmente quando essas leis vão contra os nossos princípios mais profundos.

Thoreau argumenta que a desobediência civil é um ato de resistência pacífica contra um governo injusto, e que é preferível a essa forma de resistência do que a violência ou a submissão passiva. Ele ilustra essa ideia com sua própria experiência de se recusar a pagar impostos como forma de protesto contra a escravidão e a guerra entre os Estados Unidos e o México. Thoreau foi preso por essa atitude (seu breve tempo na prisão o inspirou a escrever a obra), evidenciando que não podemos permitir que a lei seja a única fonte de moralidade, e que às vezes é necessário desafiar a autoridade para preservar nossos valores – quando essas leis ou governos são injustos e opressivos, tal desafio torna-se um dever moral.

O autor também critica a democracia representativa, argumentando que ela muitas vezes não representa a vontade do povo e que a maioria pode ser injusta com as minorias. Para ele, o melhor governo é aquele que não governa. O estado transforma as pessoas em máquinas livres do exercício do julgamento ou do senso moral, rebaixando-os ao nível da madeira, da terra e das pedras. Ele diz que se deve, antes de tudo, certificar-se de não estar pisando sobre os ombros de outros quando estiver fazendo algo. E que, se a injustiça for do tipo que requer que você seja o agente da injustiça contra outra pessoa: Viole a lei.

A vivência de Thoreau foi fundamental para a concepção da obra. Ele viveu em uma época de grande agitação social e política nos Estados Unidos, marcada pela luta contra a escravidão, a guerra dos EUA contra o México e a imposição de impostos para financiar tal guerra, bem como teceu diversas críticas ao estado de Massachusetts por sua aplicação da Lei do Escravo Fugitivo.

Além disso, ele também era um pensador profundo e crítico da sociedade de sua época, especialmente da sua excessiva preocupação com o materialismo e do conformismo dos indivíduos. Ele acreditava que a desobediência civil era uma forma de resistir a essa conformidade e de defender a liberdade individual. Ainda assim, ele deixa claro que não pretende resolver todas as injustiças do mundo, e nem que as pessoas deveriam se obrigar a isso.

Na segunda parte desta edição do livro há um trecho retirado de sua (talvez mais famosa) obra Walden, no qual foram contadas suas motivações para ir viver afastado da sociedade: viver plenamente o dia, simplificar sua vivência e viver deliberadamente a vida. Preza muito pelas manhãs, dizendo que é o período em que os eventos memoráveis geralmente ocorrem.

Em seguida, há um ensaio sobre caminhar, onde Thoreau fala sobre o quão valioso o tempo livre é, e também sobre suas jornadas perambulando pelos bosques e morros ao redor de Concord, venerado os Andarilhos e estimando tudo que há de mais selvagem. Ele diz ainda sobre estar sempre presente no momento, e que de nada vale uma caminhada em que sua cabeça esteja totalmente em outro lugar.

“A Desobediência Civil” é considerado um dos textos mais influentes da história dos movimentos sociais e da filosofia política. A ideia de que é justificável desafiar a autoridade para proteger nossos valores e crenças tem inspirado muitos ativistas e líderes de mudanças sociais ao longo dos anos.

Esse ensaio provocativo desafia as nossas ideias sobre o papel do governo e da lei na sociedade, sendo uma leitura essencial para os tempos atuais, principalmente para quem se interessa em política, filosofia ou história, e continua a ser uma fonte de inspiração para aqueles que lutam pela liberdade. É um conjunto maravilhoso de suas obras e levanta diversas reflexões sobre o indivíduo diante dos governos injustos e tirânicos; o apreço pela natureza, a vivência plena e no presente.

“O Príncipe” é um livro escrito por Maquiavel e publicado originalmente em 1532, cinco anos após sua morte. O título completo é “Il Principe” em italiano. Trata-se de um tratado político que explora os aspectos teóricos e práticos da governança e do poder. Maquiavel escreveu o livro como uma carta para o príncipe de Florença, Loreno de Médicis, e ofereceu a ele orientações sobre como governar e manter o poder em um estado, a forma de lidar com os súditos e com os inimigos, a importância de manter a ordem e a justiça, entre outros. O livro é dividido em 26 capítulos, cada um tratando de um tema específico relacionado à governança.

A obra começa com uma introdução em que Maquiavel defende que a arte da política não é uma ciência exata, mas sim uma arte que deve ser aprendida e praticada. Ele afirma que os principados podem ser divididos em dois tipos: os hereditários e os adquiridos. Os principados hereditários são aqueles que são passados de geração em geração, enquanto os adquiridos são aqueles que são conquistados por meio de força ou astúcia.

Maquiavel defende que, para manter um principado, é preciso ser capaz de manter a ordem e a estabilidade. Para isso, ele aconselha ao príncipe que mantenha o poder nas mãos de poucos, e que seja capaz de inspirar medo e respeito em seus súditos. Além disso, ele aconselha o uso de astúcia e dissimulação para conseguir o que se quer, e defende que é preciso estar disposto a fazer o que for necessário para preservar o poder, mesmo que isso signifique ser cruel ou trair alianças.

Ele também fala sobre a importância de se manter amigos e inimigos, e aconselha o príncipe a evitar ser considerado ingrato ou irresoluto. Ele defende ainda que é preciso estar sempre preparado para a guerra, e que é importante manter um exército bem treinado e equipado.

Um dos tópicos mais famosos do livro é o capítulo XVIII, “Sobre as mudanças de fortuna”. Nesse capítulo, Maquiavel defende que a fortuna é volátil e que os príncipes devem estar preparados para lidar com as mudanças dela. Ele também afirma que a fortuna é um fator importante no sucesso ou fracasso de um príncipe, mas que isso não deve ser o único critério para medir o sucesso.

Outro tópico importante do livro é o capítulo III, “Sobre a virtu e fortuna”. Nesse capítulo, Maquiavel discute a relação entre a virtu (virtude) e a fortuna, defendendo que a virtu é mais importante para um príncipe. Ele argumenta que um príncipe virtuoso pode enfrentar e superar qualquer obstáculo, enquanto que um príncipe que depende da fortuna é mais propenso a fracassar, mas que a conduta ética e moralmente correta não é necessariamente importante para ser um príncipe bem-sucedido. Ou seja, sugere que um príncipe deve ser capaz de mudar de personalidade conforme a situação exigir, se mostrando bondoso quando necessário, mas também sendo capaz de ser cruel e implacável quando preciso.

Além disso, Maquiavel aconselha os príncipes a não confiar em amigos ou aliados, mas sim em si mesmos, pois só assim eles poderão manter o poder e proteger seus interesses, e a frisa a necessidade de um príncipe ser firme e decisivo em suas ações, e de não ser fraco ou indeciso. Ele defende a ideia de que um governante que não é capaz de tomar decisões rápidas e eficazes corre o risco de perder o respeito e a confiança de seus súditos, e de ser visto como fraco e ineficaz.

No final da obra, Maquiavel fala sobre a importância de se manter a imagem de um líder justo e benevolente, mas ressalta que, quando necessário, é preciso usar a força para manter o poder. Ele conclui afirmando que a arte da política é uma arte complexa e que requer muita habilidade e astúcia para se manter no topo.

Em resumo, “O Príncipe” é um livro clássico que oferece uma visão única, realista e pragmática sobre o exercício do poder e o governo, e que apresenta estratégias e dicas valiosas para aqueles que buscam governar de maneira eficaz. A dica mais valiosa do livro talvez seja a de que um príncipe deve estar disposto a fazer o que for preciso para manter o poder e a autoridade – a noção de que os fins justificam os meios, sendo essa controversa e potencialmente perigosa.

O Príncipe é considerado um dos primeiros tratados modernos de teoria política e tem sido amplamente estudado e discutido ao longo dos séculos. Maquiavel é conhecido como um dos maiores pensadores políticos da história e como um dos precursores do pensamento moderno sobre o poder e a política.

Quer o resumo de algum livro que não encontrou aqui? Deixe sua sugestão abaixo e faremos o possível para adicioná-lo.

Sua opinião é importante para nós!